Cristãos em Mianmar: Fé Sob Bombardeios
Neste dia 1º de fevereiro de 2026, o golpe militar em Mianmar completa cinco anos, consolidando um período de dor, destruição e uma crise humanitária que parece não ter fim. O que antes era conhecido como a “terra dourada”, hoje é um cenário de guerra civil onde os cristãos em Mianmar estão no centro da violência.
Desde 2021, a Junta Militar intensificou ataques aéreos e terrestres, transformando igrejas e aldeias cristãs em alvos preferenciais. Como teólogo e estudante de psicologia, vejo que a igreja birmanesa vive hoje um estado de trauma coletivo, mas também demonstra uma resiliência espiritual que desafia a lógica humana.

Cinco Anos de Perseguição e Deslocamento
Os dados são alarmantes: estima-se que 2,8 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas. Para os cristãos em Mianmar, a fuga muitas vezes termina em abrigos improvisados no meio da selva ou em campos de refugiados inseguros. Enquanto monastérios budistas permanecem intocados, vilas inteiras com centenas de casas e igrejas são reduzidas a cinzas. A perseguição é sistemática e visa desarticular a liderança cristã, como demonstra o caso do Dr. Hkalam Samson, preso repetidamente para silenciar sua voz de esperança.
Além da violência física, os cristãos em Mianmar enfrentam a pressão da conscrição obrigatória. Jovens são forçados a servir em um exército que ataca seus próprios vizinhos, o que tem levado muitos à fuga para países fronteiriços. Para nós da igreja no Brasil, este cenário de guerra total nos convoca a uma intercessão que vá além das palavras. É necessário entender que a liberdade de culto é um privilégio que nossos irmãos birmaneses perderam há meia década. Diante de tanta instabilidade, muitos buscam conforto em saber como lidar com o luto e a perda, uma realidade diária para quem perde tudo da noite para o dia.
Perspectiva Teológica: Segurando a Mão de Jesus
Teologicamente, a frase da cristã Mei Mei resume a fé daquela nação: “Continuo segurando a mão de Jesus”. Mesmo após perder casa e emprego por causa de sua fé, ela permanece firme. Isso nos ensina que a presença de Deus não é medida pela segurança das paredes de uma igreja, mas pela constância do Espírito na selva ou nos escombros. Os cristãos em Mianmar adoram ao ar livre, em esconderijos, provando que a Igreja de Cristo é indestrutível.
Para nós da igreja no Brasil, a resistência em Mianmar é uma lição sobre prioridades. Eles não lutam apenas para sobreviver fisicamente, mas para manter a chama do Evangelho acesa em uma terra hostil. Ao analisarmos esses eventos sob a luz das Escrituras, percebemos o cumprimento de profecias. É fundamental buscar o que a Bíblia diz sobre o fim dos tempos, compreendendo que a aflição sofrida pelos cristãos em Mianmar é parte das dores que antecedem a volta do Senhor, exigindo de nós vigilância e apoio prático.
Perspectiva Psicológica: O Trauma da Guerra Civil
Como graduando no 5º semestre de Psicologia, analiso que o impacto emocional de cinco anos de bombardeios contínuos gera um estado de “hipervigilância” constante. O trauma do deslocamento forçado e a visão de igrejas destruídas afetam a saúde mental de crianças e adultos, gerando sentimentos de desamparo. A resiliência demonstrada pelos cristãos em Mianmar é o que a psicologia chama de “crescimento pós-traumático”, onde a pessoa encontra um novo propósito em meio à tragédia.
A saúde emocional desses irmãos depende de uma rede de apoio que valide sua dor. É indispensável o exercício da inteligência emocional no ministério para que líderes locais possam consolar os deslocados sem serem consumidos pelo próprio trauma. O trabalho de parceiros como a Portas Abertas, que leva não apenas socorro emergencial, mas encorajamento espiritual, é o que sustenta a psique de quem luta para sobreviver a cada ataque.
Conclusão: Um Compromisso com a Esperança
Mianmar completa cinco anos sob o jugo militar, mas a igreja permanece como fonte de esperança. Para nós da igreja no Brasil, fica o desafio de sermos a voz desses irmãos. Que a nossa sabedoria e direção bíblica nos impulsionem a orar e agir em favor dos cristãos em Mianmar, lembrando que, mesmo na selva, eles continuam segurando a mão de Jesus.
Fonte da notícia: Portas Abertas Brasil
Sobre o Autor: Pr. Reginaldo Santos é casado com Grece Kelly há 24 anos e atua na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, é atualmente graduando em Psicologia (5º semestre). Seu ministério é focado em trazer uma palavra de sabedoria, direção bíblica e cuidado com a saúde emocional para a vida cristã.










