Sofrimento: Por que pessoas boas passam por isso?
Sofrimento humano é uma realidade que, em algum momento, faz todo cristão questionar o “porquê” das adversidades. A pergunta — que ecoa desde as lamentações de Jó até os dias atuais — busca entender como um Deus bom permite que a dor alcance aqueles que buscam viver em retidão. Para nós da igreja no Brasil, lidar com o sofrimento exige maturidade para compreender que a vida cristã não é uma redoma de vidro, mas um processo de aperfeiçoamento onde a dor, embora indesejada, cumpre um papel pedagógico na nossa caminhada de fé e molda a nossa resiliência espiritual.

Como teólogo e graduando em Psicologia, percebo que o impacto do sofrimento é frequentemente intensificado por uma visão distorcida da fé como um contrato de prosperidade sem crises. A psicologia explica que a mente humana busca padrões de previsibilidade e justiça: “se eu faço o bem, recebo o bem”. Quando esse padrão é quebrado, surgem traumas e desilusões profundas. Segundo pesquisas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), o suporte espiritual e a rede de apoio da igreja são fatores determinantes na saúde mental de brasileiros que enfrentam o luto ou doenças crônicas, provando que a fé é um escudo emocional.
O Sofrimento como Escola e o Limite Humano
Na Bíblia, o sofrimento raramente é apresentado como um castigo direto para o justo, mas como um terreno de crescimento. Tiago nos exorta a ter alegria nas provações, pois elas produzem perseverança. O sofrimento nos despe das nossas autossuficiências e nos ensina a depender do Pai. Quando olhamos para a história de matusalém, vemos que a visão de Deus sobre o tempo e a vida é eterna, enquanto a nossa é limitada ao momento da dor. Deus não desperdiça o nosso choro; Ele o utiliza para forjar um caráter inabalável e uma fé que suporta tempestades.
Diferente do orgulho de nabucodonosor, que precisou ser humilhado para reconhecer a soberania de Deus, o justo que passa pelo sofrimento é convidado a confiar no caráter do Criador mesmo quando as circunstâncias são sombrias. A teologia nos ensina que vivemos em um mundo caído, onde a dor é uma realidade compartilhada. O diferencial do cristão não é a ausência de problemas, mas a presença constante do Consolador que nos sustenta quando as nossas forças se esgotam completamente.
A Perspectiva Psicológica da Resiliência na Dor
No 5º semestre de Psicologia, estudamos que a resiliência não é a ausência de dor, mas a capacidade de dar um novo sentido a ela. O sofrimento nos obriga a reorganizar nossas prioridades e a valorizar o que é realmente eterno. A ciência brasileira tem avançado no estudo da espiritualidade como ferramenta de enfrentamento (coping espiritual), reconhecendo que a fé ajuda o indivíduo a encontrar propósito mesmo em condições adversas, como em casos de perdas graves.
Não podemos espiritualizar o sofrimento a ponto de anular os sentimentos. Jesus chorou diante da morte de Lázaro, validando a nossa humanidade e a nossa tristeza. A cura emocional começa quando paramos de lutar contra o fato de sermos humanos e passamos a buscar o sentido que Deus está dando àquela situação. O sentido da dor muitas vezes só aparece no futuro, quando percebemos que fomos fortalecidos justamente nas batalhas que achamos que não suportaríamos.
Conclusão
Em resumo, o sofrimento não é sinal de abandono divino, mas uma oportunidade para experimentarmos a Deus de uma forma que a bonança não permitiria. Pessoas boas passam por aflições porque vivemos em um mundo imperfeito, mas o nosso Deus é mestre em transformar cinzas em beleza. Que o seu coração encontre descanso na certeza de que nenhuma lágrima é ignorada e que o sofrimento de hoje é leve e momentâneo se comparado ao peso eterno de glória que está sendo preparado para você por Deus.
Sobre o Autor: Pr. Reginaldo Santos é casado com Grece Kelly há 24 anos e atua na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, é atualmente graduando em Psicologia. Seu ministério é focado em trazer uma palavra de sabedoria, direção bíblica e cuidado com a saúde emocional para a vida cristã.










