O Silêncio Forçado: Cristãos no Irã e a Queda da Internet
O Silêncio Forçado: Cristãos no Irã e a Queda da Internet
A instabilidade digital no Irã não é apenas uma falha de infraestrutura; é uma barreira deliberada que isola o corpo de Cristo. Recentemente, dados do portal Portas Abertas Brasil indicaram que a queda constante da internet no país tem deixado os cristãos iranianos em uma situação de vulnerabilidade extrema. Em uma nação onde o cristianismo é visto como uma ameaça à segurança nacional, a internet tornou-se, nos últimos anos, o principal refúgio para o ensino bíblico, a comunhão e o suporte mútuo.
A Realidade da Igreja Subterrânea Digital
No Irã, a maioria dos convertidos do islamismo não pode frequentar igrejas tradicionais. Eles se reúnem em “igrejas domésticas”, que são pequenos grupos que operam no mais absoluto segredo. Para esses fiéis, a conexão com o mundo exterior e com outros grupos dentro do próprio país depende quase inteiramente de ferramentas digitais seguras. Quando o governo impõe o silêncio digital, ele está, simbolicamente, cercando esses cristãos em um deserto de isolamento, impedindo que recebam encorajamento e orientações vitais para sua segurança.
A Perspectiva Teológica: O Som que Ninguém Pode Calar Como teólogo, observo que a estratégia de silenciar os servos de Deus é uma marca registrada dos impérios que se levantam contra o Reino. Vemos isso em Daniel, quando a oração foi proibida, e em Atos, quando os apóstolos foram ordenados a não falar no nome de Jesus. O “Silêncio Forçado” no Irã hoje é uma reedição moderna dessas tentativas.
Todavia, a Bíblia nos ensina que a Palavra de Deus não está algemada (2 Timóteo 2:9). O apóstolo Paulo escreveu boa parte de suas epístolas em estado de isolamento físico, na prisão, mas a conexão espiritual com as igrejas permanecia através de cartas e orações. O isolamento forçado pode cortar os cabos de rede, mas não corta o acesso ao Trono da Graça. É fundamental que a igreja brasileira compreenda que nossa liberdade de conexão é uma responsabilidade: devemos ser a voz daqueles que o regime iraniano tenta emudecer.
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O Impacto Psicológico: O Peso do Isolamento e a Ansiedade
Do ponto de vista da Psicologia, ciência que estou cursando atualmente no 5º semestre, o isolamento social imposto é um dos maiores agressores da saúde mental humana. O ser humano foi criado para a conexão (Gênesis 2:18). Quando um governo retira a internet de uma minoria perseguida, ele está executando uma tática de “guerra psicológica”.
O corte da comunicação gera o que chamamos de hipervigilância. O cristão iraniano, sem saber o que está acontecendo com seus irmãos de fé ou se há novas ameaças, entra em um estado de alerta constante, o que pode levar ao esgotamento emocional e ao transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A falta de uma rede de apoio (que no Irã é majoritariamente digital) impede a regulação emocional e o compartilhamento de cargas, tornando o peso da perseguição muito mais difícil de carregar individualmente. A psicologia pastoral nos convida a entender que o cuidado com esses irmãos passa também pelo apoio psicológico e pela oração por sua integridade mental.
A Resiliência da Fé no Século XXI
Apesar do silêncio forçado, a igreja no Irã continua sendo uma das que mais cresce no mundo. Isso nos mostra que a resiliência humana, quando potencializada pela fé cristã, é capaz de encontrar caminhos onde não há saída. A internet pode cair, mas o Espírito Santo continua agindo através de sonhos, visões e do testemunho silencioso de vida.
Como cristãos no ocidente, nossa função é dupla: interceder pela restauração das comunicações e pela segurança desses fiéis, e valorizar a liberdade que temos. O uso das redes sociais para a propagação do Evangelho no Brasil deve ser feito com a consciência de que, em outros lugares, pessoas arriscam a vida por apenas alguns minutos de conexão bíblica.
Conclusão: O Desafio do Clamor Intercessor O “Silêncio Forçado” no Irã é um teste para a nossa solidariedade cristã. Não podemos nos acostumar com as notícias de perseguição como se fossem apenas estatísticas. Cada queda de conexão no Irã representa um irmão que se sente sozinho, uma família que perde o contato com seu pastor virtual e uma comunidade que luta para manter a esperança viva. Que possamos ser a extensão dessa conexão através da nossa intercessão e apoio às instituições que servem à Igreja Perseguida.
Com informações de: Portas Abertas Brasil
Sobre o Autor: Pr. Reginaldo Santos é casado com Grece Kelly há 22 anos e atua na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, é atualmente graduando em Psicologia (5º semestre). Seu ministério é focado em trazer uma palavra de sabedoria, direção bíblica e cuidado com a saúde emocional para a vida cristã.









