
A Bíblia ensina que haveria duas vindas do Messias? | Estudo Completo
A Bíblia ensina que haveria duas vindas do Messias? | Estudo Completo
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Introdução
A expectativa da vinda do Messias é um dos temas centrais das escrituras. A importância desse conceito é evidente em várias passagens da Bíblia e na construção da fé cristã. Muitos cristãos acreditam que a Bíblia revela a existência de duas vindas do Messias: uma já cumprida, que se refere a Jesus Cristo em sua primeira vinda, e outra que ainda está por vir, quando Cristo retornará em glória. Este artigo busca explorar a base bíblica dessa crença, analisando as escrituras de maneira cuidadosa e proporcionando uma compreensão mais profunda do assunto.
Resposta Bíblica
Para avaliar a ideia de duas vindas do Messias, é essencial distinguir entre as profecias messiânicas do Antigo Testamento e os relatos do Novo Testamento. No Antigo Testamento, diversas passagens falam da vinda de um Salvador, que seria um Rei, um Redentor e um Libertador. Entre as mais relevantes, podemos citar Isaías 9:6-7, que descreve alguém que será chamado de “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” Essa passagem nos apresenta um Messias que traria paz e justiça, representando o cumprimento das promessas de Deus ao Seu povo.
Entretanto, a expectativa messiânica do Antigo Testamento era muitas vezes ambígua. Os profetas falavam de um Messias que estabeleceria um reino de justiça, mas além disso, também havia referências a um servo sofredor, como em Isaías 53, que descreve um homem que levaria sobre si as iniquidades de muitos. Essas duas figuras – o Reis e o Sofredor – coexistem nas profecias e, no entendimento cristão, representariam as duas vindas do Messias.
No Novo Testamento, essa dualidade começa a se unir na pessoa de Jesus Cristo. Ele é reconhecido como o cumprimento das promessas messiânicas do Antigo Testamento. Na sua primeira vinda, Jesus veio como o servo sofredor, realizado por meio de seu ministério, morte e ressurreição. Versículos como João 1:29, onde João Batista diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, mostram essa fase de sua vinda como um cumprimento das profecias de Isaías.
Por outro lado, as promessas de um retorno triunfante e a expectativa do estabelecimento pleno do reino de Deus são encontradas nas Escrituras. Em Mateus 24:30-31, Jesus fala sobre a sua volta, dizendo que virá sobre as nuvens do céu com grande poder e glória e enviará os seus anjos para reunir os seus escolhidos. Isso coloca em evidência a segunda vinda, um retorno esperado que completará as promessas de Deus através do Messias e trará a restauração total da criação.
Além disso, várias epístolas do Novo Testamento, como em 1 Tessalonicenses 4:16-17 e Apocalipse 1:7, falam sobre o retorno glorioso de Jesus, reforçando a crença em sua segunda vinda. Assim, a narrativa bíblica parece apoiar a ideia de que o Messias possui um papel multifacetado que se desdobra ao longo da história.
O que a Bíblia Não Diz
Um aspecto importante ao discutir as duas vindas do Messias é entender o que a Bíblia não diz. As Escrituras não definem um período específico entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Embora muitos intérpretes tenham tentado calcular ou prever datas, a Bíblia deixa claro que “a hora e o dia ninguém sabe” (Mateus 24:36). Essa falta de cronologia sugere que o foco deve estar na fidelidade à missão e na vigilância, e não em prever datas ou se perder em especulações.
Além disso, a Bíblia não torna explícita a ideia de que as duas vindas do Messias acontecerão de maneira a se sobrepor completamente, como um ciclo contínuo de eventos. Em vez disso, é mais apropriado ver a primeira vinda de Cristo como um cumprimento parcial das promessas de Deus, enquanto a segunda vinda concluirá o que foi iniciado. A Escritura não sugere que haverá múltiplas vindas após essas duas, mas sim que estas duas são as fases centrais na obra redentora de Deus.
Aplicação
A crença nas duas vindas do Messias tem implicações práticas profundas para a vida do cristão e a prática da fé. Em primeiro lugar, ela nos instiga a contemplar a natureza de Deus e Suas promessas. Ao reconhecer que a primeira vinda já se cumpriu, temos a certeza de que Deus é fiel em cumprir Suas promessas e que a esperança da segunda vinda será igualmente uma realidade.
Essa expectativa esboça um chamado à vigilância. Em Mateus 25, através da parábola das dez virgens, Jesus ensina sobre a importância de estarmos preparados para a sua volta. Isso significa que a vida cristã deve ser vivida de forma intencional, buscando a santidade, servindo ao próximo e mostrando o amor de Cristo ao mundo.
Sai além do individual; também impacta a comunidade de fé. As comunidades cristãs são chamadas a implantar o Reino de Deus em suas práticas e interações com o mundo. Ao vivermos como cidadãos do reino, refletimos a luz de Cristo enquanto aguardamos Seu retorno. A expectativa da segunda vinda não deve ser um motivo de medo, mas uma fonte de esperança, motivando os cristãos a viverem não apenas para si mesmos, mas para algo maior – a glória de Deus.
Saúde Mental
A mensagem sobre as duas vindas do Messias pode também ter um papel importante na saúde mental. Em tempos de incerteza ou desespero, a esperança no retorno de Cristo pode trazer um senso de propósito e renovação. Muitas pessoas enfrentam desafios emocionais que se intensificam pela falta de esperança em um futuro melhor. A doutrina da segunda vinda é um lembrete de que a história não termina em desespero, mas em restabelecimento e redempção.
Além disso, o servo sofredor da primeira vinda se identifica com aqueles que estão passando por dor e sofrimento. Em 1 Pedro 5:7, somos incentivados a lançar sobre Ele toda a nossa ansiedade, pois Ele tem cuidado de nós. Esse entendimento não apenas conforta, mas também nos transforma em pessoas mais empáticas, capazes de reconhecer e apoiar o sofrimento dos outros.
A expectativa de que um dia todas as coisas serão restauradas traz um senso de preservação em meio à adversidade. A Bíblia nos assegura que a dor e o sofrimento atual não se comparam à glória que será revelada em nós (Romanos 8:18). Essas promessas podem, de fato, servir como âncoras em tempos de turbulência, oferecendo uma paz que transcende o entendimento humano (Filipenses 4:7).
Objeções
Embora a ideia de duas vindas do Messias seja uma crença comum entre os cristãos, há objeções que devem ser consideradas. Uma delas é a ênfase no cumprimento das profecias. Algumas pessoas argumentam que a visão de Cristo como um Messias tanto sofredor quanto triunfante pode ser inconsistente, questionando como a natureza de Deus pode permitir um sofrimento tão profundo a um ente querido.
Além disso, a diversidade de interpretações escatológicas dentro da cristandade gera ceticismo. Grupos diferentes interpretam as profecias de maneiras que muitas vezes se contradizem. Essa confusão pode levar a um afastamento da fé e à desconfiança das promessas de Deus.
Outra objeção é o desinteresse geral por assuntos que envolvem escatologia, visto que muitos consideram a criação de especulações e previsões um desvio da mensagem central do evangelho. O foco em eventos apocalípticos pode obscurecer a missão da igreja no presente, que é viver e pregar o amor de Cristo. Existe um perigo em se tornar tão obcecado pelo que está por vir que se esquece de agir no aqui e agora.
Essas objeções são legítimas, mas enfrentá-las com um espírito de humildade e aprendizado é fundamental. A busca pela verdade deve sempre incluir uma disposição para escutar e entender as perspectivas dos outros, sempre voltando à Palavra para buscar clareza e compreensão.
Conclusão
A crença na primeira e na segunda vinda do Messias é fundamental para a teologia cristã e proporciona uma esperança que permeia a vida cotidiana dos cristãos. A Bíblia oferece um rico tecido de promessas que aponta para um Deus que age na história e que tem um plano perfeito para a redenção da criação.
Reconhecer essas duas vindas nos permite entender melhor tanto o sofrimento que enfrentamos quanto a esperança que nos aguarda. O testemunho das Escrituras nos chama a sermos vigilantes e a vivermos em expectativa, não apenas aguardando a volta de Cristo, mas também sendo agentes de Seu amor e verdade no mundo.
Assim, somos desafiados a integrar o conceito das duas vindas do Messias em nossa espiritualidade, nossa psique e nossa comunhão como corpo de Cristo. Enquanto aguardamos o glorioso retorno do nosso Salvador, que possamos sempre nos esforçar para refletir a luz e o amor dEle em nossas vidas diárias. Que essa esperança nos motive a agir, servir e amar, tanto em tempos de paz quanto em meio à adversidade.
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Sobre o Autor
Pr. Reginaldo Santos é casado com Grece Kelly há 24 anos e atua na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, é atualmente graduando em Psicologia (5º semestre). Seu ministério é focado em trazer uma palavra de sabedoria, direção bíblica e cuidado com a saúde emocional para a vida cristã.
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