Pastor, sua unção não depende do que os outros pensam
Introdução
O exercício do ministério pastoral é uma jornada rica e desafiadora, repleta de momentos de alegria, vitória, mas também de críticas e desafios. Para muitos pastores, a opinião dos outros pode exercer uma influência significativa sobre sua percepção de eficácia e valor no ministério. No entanto, é crucial lembrar que a unção pastoral e a identidade dada por Deus não dependem da aprovação humana. Este artigo busca explorar a essência da identidade pastoral conforme revelada nas Escrituras, complementada por insights da psicologia, e oferecer orientações práticas para aqueles que caminham lado a lado com os pastores em seu ministério.
O que a Bíblia diz sobre identidade pastoral
Na Bíblia, a identidade pastoral é firmemente enraizada no chamado de Deus, não nas opiniões humanas. Em Efésios 4:11-12, Paulo descreve como Cristo concedeu diferentes dons à igreja, incluindo pastores e mestres, para equipar os santos para a obra do ministério. Este chamado e unção são atos soberanos de Deus. Em Jeremias 1:5, Deus diz ao profeta: “Antes que eu te formasse no ventre, te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.”
A Bíblia também enfatiza que a aprovação divina é superior à humana. Em Gálatas 1:10, Paulo afirma: “Pois busco eu agora o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se ainda estivesse agradando aos homens, não seria servo de Cristo.” A identidade pastoral deve, portanto, ser uma extensão do chamado divino, centrada em agradar a Deus acima de qualquer opinião terrena.
O que a psicologia/neurociência diz
A psicologia nos ensina que a identidade é uma construção complexa que reflete a maneira como nos vemos e como acreditamos que os outros nos veem. Para muitos pastores, a identidade pastoral pode se tornar entrelaçada com a percepção externa. No entanto, a neurociência mostra que a validação interna é mais sustentável e benéfica para o bem-estar mental do que a dependência da validação externa. Estudos mostram que indivíduos que têm uma forte sensação de propósito, alicerçada em valores pessoais e espirituais, tendem a experimentar maior resiliência e satisfação na vida.
A teoria da autodeterminação na psicologia sugere que a autonomia, a competência e o relacionamento são fundamentais para o bem-estar. Quando pastores baseiam sua identidade no chamado de Deus, eles encontram autonomia espiritual; quando se dedicam a desenvolver seus dons, encontram competência; e quando cultivam relacionamentos saudáveis com Deus e com os outros, encontram apoio relacional. Assim, a identidade pastoral, quando fundamentada em uma compreensão clara do chamado divino e na prática de uma espiritualidade saudável, promove uma saúde mental mais robusta.
Exemplos bíblicos
A Bíblia está repleta de exemplos de líderes cuja identidade foi moldada por Deus, independentemente das opiniões dos outros. Moisés, chamado por Deus para liderar Israel, enfrentou críticas constantes de seu próprio povo (Êxodo 16:2-3). No entanto, sua identidade e autoridade eram sustentadas pela certeza do chamado divino.
Outro exemplo é o do rei Davi. Desde jovem, foi ungido por Deus para ser rei (1 Samuel 16:13), mas enfrentou desprezo e oposição, inclusive de sua própria família e do rei Saul. Davi encontrou sua identidade em Deus, como evidenciado em muitos de seus salmos, onde reafirma sua confiança no Senhor apesar das circunstâncias adversas.
Por fim, Jesus Cristo é o maior exemplo. Apesar das críticas e rejeição, Ele manteve seu foco no propósito estabelecido por Deus Pai. Sua identidade e missão não foram abaladas pelas opiniões e rejeições humanas, mas sim fortalecidas por seu relacionamento com o Pai.
Aplicação prática
Para os pastores, reconhecer que sua identidade pastoral é determinada por Deus e não pelos homens é um passo vital para um ministério frutífero. Isso significa investir tempo em oração e estudo bíblico, buscando continuamente a orientação divina. É essencial que os pastores se lembrem de que sua unção e eficácia vêm de Deus e não de sua popularidade ou aceitação.
Além disso, desenvolver uma rede de apoio é crucial. Pastores devem cercar-se de colegas confiáveis, mentores e amigos que possam oferecer encorajamento e conselhos sábios. Participar de retiros espirituais e conferências pode ser uma maneira eficaz de renovar a mente e o espírito, fortalecendo a identidade pastoral.
Orientações para quem aconselha
Para aqueles que têm a responsabilidade de aconselhar pastores, é importante criar um ambiente de apoio e encorajamento. Ofereça um espaço seguro onde eles possam expressar suas lutas e desafios sem medo de julgamento. Reforce a importância de uma identidade centrada em Cristo e encoraje práticas espirituais que fortaleçam sua fé e confiança no chamado divino.
Aconselhe-os a buscar equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, promovendo a saúde mental e espiritual. Incentive-os a se afastarem ocasionalmente das pressões do ministério para recarregar suas energias espirituais e emocionais.
Conclusão
A identidade pastoral é um presente e um chamado de Deus, imutável diante das opiniões e críticas dos homens. Quando pastores se firmam nessa verdade, encontram a liberdade para liderar com coragem e compaixão. Ao reconhecerem que sua unção é sustentada por Deus, eles podem ministrar com autenticidade e impacto, sabendo que estão agradando ao único que realmente importa.
Oração final
Senhor Deus, agradecemos pela vida de cada pastor que o Senhor chamou e ungiu para liderar Seu povo. Pedimos que fortaleça a identidade de cada um deles, lembrando-os de que sua unção vem de Ti e não das opiniões dos homens. Que encontrem em Ti a fonte de toda sabedoria, coragem e amor. Que suas vidas sejam um reflexo da Sua glória e que eles possam impactar o mundo com Sua verdade. Em nome de Jesus, amém.
Pergunta para reflexão
Como você pode fortalecer sua identidade pastoral sabendo que sua unção vem de Deus e não dos homens?
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Sobre o Autor
Pr. Reginaldo Santos é casado com Grece Kelly há 24 anos e atua na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, é atualmente graduando em Psicologia (5º semestre). Seu ministério é focado em trazer uma palavra de sabedoria, direção bíblica e cuidado com a saúde emocional para a vida cristã.







