Vida a Dois: O Mistério do Cordão de Três Dobras
O Cordão de Três Dobras: O Fundamento Bíblico e Pastoral na Vida a Dois
O matrimônio não é uma invenção humana ou um simples contrato social, mas uma instituição divina estabelecida por Deus ainda no Éden. Na jornada da Vida a Dois, as tempestades são inevitáveis, mas o alicerce onde o casal constrói sua casa determina a sua sobrevivência. A Palavra de Deus, em Eclesiastes 4:12, nos entrega uma revelação poderosa: “Um cordão de três dobras não se quebra facilmente”. Para nós da igreja no Brasil, esta verdade é o baluarte contra a cultura do descarte que assola as famílias modernas. O foco central deste artigo é resgatar a primazia das Escrituras e o papel do pastoreio mútuo no casamento. Embora a psicologia nos ajude a entender alguns processos mentais, é na presença do Espírito Santo e na obediência à Palavra que encontramos o verdadeiro poder para sustentar a aliança conjugal.

1. A Origem do Cordão: O Projeto Criacional de Deus
A Vida a Dois começa no coração do Criador. Ao dizer “não é bom que o homem esteja só”, Deus não estava apenas suprindo uma carência de Adão, mas estabelecendo o princípio da complementariedade. O cordão de três dobras começa a ser trançado quando entendemos que o homem e a mulher foram criados à imagem de Deus para refletirem Sua glória através da união. Do ponto de vista pastoral, o primeiro nó deste cordão é o compromisso inegociável com o Senhor. Sem que ambos estejam rendidos ao senhorio de Cristo, o casamento torna-se apenas a união de dois egoísmos.
Na perspectiva da saúde mental, o autoconhecimento serve aqui apenas para reconhecermos nossa natureza caída e a necessidade desesperada da graça divina para conviver com o próximo. O foco pastoral é a santificação: o casamento é o instrumento de Deus para nos tornar mais parecidos com Jesus. É impossível ter uma vida conjugal plena ignorando que somos seres espirituais em busca de santidade.
2. A Terceira Dobra: A Centralidade de Cristo no Lar
O grande erro de muitos casais é tentar viver a Vida a Dois apenas com duas dobras (o marido e a mulher). Um cordão de duas dobras é frágil e se rompe sob pressão. A “Terceira Dobra” é Jesus Cristo. Quando Ele é o centro, Ele não apenas une as outras duas dobras, mas as fortalece e as protege. Pastoralmente, isso significa que a vida devocional do casal não é um acessório, mas a espinha dorsal da união. Orar juntos, ler as Escrituras e servir na obra do Senhor são as ações que apertam os laços desse cordão.
Quando Cristo é a dobra central, as decisões não são tomadas com base em vontades egoístas, mas na vontade de Deus. Para entendermos a profundidade dessa entrega, podemos olhar para exemplos de fé extrema. Em nossa análise sobre a Missão no Nepal, vimos como a entrega total a Cristo transforma identidades e sustenta o indivíduo mesmo sob perseguição; da mesma forma, no casamento, essa entrega sustenta o casal nas crises.

3. O Pastoreio Mútuo: Cuidando um do outro na Fé
Na Vida a Dois, o marido é chamado a ser o líder espiritual, amando sua esposa como Cristo amou a igreja, e a esposa é chamada a ser a auxiliadora idônea, edificando o lar com sabedoria. Esse pastoreio mútuo é o que mantém a chama do altar acesa. O aconselhamento bíblico nos mostra que o cuidado com a alma do cônjuge é a prioridade máxima do ministério do crente. O papel do pastor e da liderança da igreja é guiar o casal para que eles mesmos saibam aplicar o bálsamo da Palavra em suas feridas.
Aqui, a psicologia contribui apenas ao lembrar que somos seres emocionais e que nossas experiências passadas influenciam nossas reações, mas é o ensino bíblico sobre a mansidão e o domínio próprio que traz a cura real. O pastoreio na Vida a Dois envolve exortar com amor, consolar na dor e caminhar juntos em direção à Canaã celestial. Não se trata de cobrar perfeição, mas de incentivar o crescimento espiritual contínuo de ambos.
4. O Poder do Perdão Bíblico e a Restauração
Não existe Vida a Dois sem a prática contínua do perdão. Colossenses 3:13 nos ordena: “Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente”. No contexto pastoral, o perdão não é opcional; é um mandamento. É a ferramenta que desata os nós de amargura que tentam sufocar o cordão de três dobras. Diferente de uma visão puramente terapêutica, o perdão bíblico fundamenta-se no fato de que fomos perdoados por Deus. Perdoamos o cônjuge porque Cristo nos perdoou primeiro.
Muitas vezes, esse processo de recomeço exige uma força que vem da superação de traumas e perdas, algo que exploramos profundamente no artigo sobre A Resiliência de Rute, onde o recomeço só foi possível através de uma aliança de fidelidade e fé. No casamento, o perdão é o que permite que o casal “limpe o terreno” para continuar construindo o futuro sem o peso dos erros passados.
5. Intimidade e Santidade: O Altar do Matrimônio
A Bíblia é muito clara ao dizer que o matrimônio deve ser honrado por todos e o leito conjugal mantido puro (Hebreus 13:4). A Vida a Dois inclui a celebração da intimidade como uma bênção de Deus para o prazer e a procriação. Pastoralmente, ensinamos que a sexualidade no casamento é uma forma de comunhão profunda que reflete a união de Cristo com Sua Igreja. A proteção desta área exige vigilância contra as investidas do inimigo.
O cordão de três dobras é blindado quando o casal cultiva a pureza e a exclusividade. Para o fortalecimento dessa base teórica e espiritual, recomendamos sempre a consulta a fontes de autoridade bíblica, como a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), que disponibiliza recursos valiosos para a edificação da família. Quando Deus é a terceira dobra, a intimidade é vivida com santidade, respeito e gratidão, fortalecendo os laços da aliança.

6. Longevidade e Legado: O Exemplo para as Gerações
Um casamento que dura décadas, como os 24 anos que eu e minha esposa Grece Kelly celebramos, torna-se um sermão vivo para a comunidade. A Vida a Dois cristã tem um propósito profético: mostrar ao mundo que o amor fiel é possível através de Jesus. O cordão de três dobras que resiste ao tempo torna-se um legado para os filhos e para a igreja local. Pastoralmente, o foco na longevidade visa a glória de Deus e a estabilidade da sociedade.
Cada ano vencido é uma vitória do Reino sobre as trevas e sobre o egoísmo humano. A fidelidade a Deus sustenta o compromisso “até que a morte os separe”. O conselho pastoral para os casais jovens é: não busquem a felicidade como fim, busquem a Deus, e a felicidade será uma consequência natural da presença d’Ele na sua Vida a Dois. O sucesso matrimonial é medido pela fidelidade, não pela ausência de problemas.
Conclusão
O “Cordão de Três Dobras” não é uma fórmula mágica, mas uma posição de dependência total do Senhor. Na Vida a Dois, quando o homem e a mulher se submetem a Cristo, o casamento deixa de ser um peso e torna-se um porto seguro. A psicologia tem seu valor como ferramenta auxiliar em apenas 10% do processo, ajudando-nos a entender nossa estrutura emocional, mas a força motriz da união é a Palavra de Deus e a unção do Espírito Santo. Mantenha Cristo no centro, a Bíblia na mão e o perdão nos lábios. Assim, seu cordão nunca se quebrará.
Sobre o Autor: Pr. Reginaldo Santos é casado com Grece Kelly há 24 anos e atua na Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas. Teólogo com especialização em Psicologia Pastoral, é atualmente graduando em Psicologia (5º semestre). Seu ministério é focado em trazer uma palavra de sabedoria, direção bíblica e cuidado com a saúde emocional para a vida cristã.










